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seriesholic

House M.D. - Primeira Temporada (2004)

Primeiro de tudo, sim, eu sou uma pessoa atrasada. Quando todo mundo assistiu House e achou um máximo, eu disse que nem era tão bom assim. Daí, agora estou eu, correndo atrás de temporadas perdidas (vai estreiar a sexta e, quero deixar bem claro, as temporadas de House não têm 12 episódios que nem as de Dexter, o que torna o ato de se atualizar BEM mais difícil). Mas, tudo bem, nem tudo é um desastre.

Levou um tempo para eu me acostumar com Gregory House e sua equipe médica. Romances e dramas costumam me prender mais do que doenças estranhas, e eu só me desprendia disso (talvez não tanto) com CSI. No entanto, quando consegui ver esse seriado do mesmo jeito que vejo o dos criminalistas, descobri uma história viciante, que é capaz de prender por seis episódios seguidos sem cansar. Bem, na verdade cansa um pouco por causa da mini-legenda do DVD; se não fosse isso, eu teria acabado bem antes. Voltando ao seriado: o método de tentativa e erro de House pode cansar de vez em quando, mas é importante lembrar, se isso virar um incômodo, que se ele soubesse o motivo da doença logo de início não haveria enredo. Somente os casos inexplicáveis param na equipe dele, então é óbvio que não vai ser fácil. Sim, eles vão fazer diversos exames e encontrar muitos falsos positivos e manchas que aparentemente não significam nada - e de vez em quando não significam nada mesmo. As doenças não costumam ser exóticas, como se pode pensar em primeira análise; são mais corriqueiras, normalmente não descobertas no início porque, como é o lema, "everybody lies". Ah sim, e, assim como em CSI, existe um fator humano e dramático por trás do seriado. Nessa temporada, está focada na filhadaputagem (e é isso mesmo) do Chase, da atração da Cameron pelo House (é fofo, mas não me empolguei muito porque eu sei que logo vai aparecer uma storyline entre a Cuddy e o House, que é bem mais adequada) e, já no fim, pela descoberta sobre o que houve com o House e porque ele é tão amargurado amorosamente. A primeira temporada é muito boa, termina de um jeito que promete ainda mais emoções e eu mal posso esperar para estar 100% atualizada sobre o médico mais sarcástico do mundo das séries.

E já que eu não achei um jeito de encaixar isso na crítica, digo agora: Wilson, deixa eu te roubar? *-* Acho ele a coisa mais deliciosa do seriado, daquele jeitinho dele. Enquanto o House é o que eu amo odiar, o Wilson é o que eu amei amar (frase interessante, hihi). <3

senta que lá vem história

O Clube das Chocólatras (Carole Matthews) - 2007

- Vou levar você para almoçar - disse Paquera, de forma decisiva. - Escolheremos um lugar especial e fingiremos que estamos falando de trabalho. Você vai incluir nos gastos e eu vou aprovar. Certo? - Assenti. - Tenho uma notícia para contar.
- É boa? - Não achava que agüentaria receber outra má notícia naquele dia.
Paquera moveu os dedos na extremidade do gesso e estudou-os atentamente.
- Depende do ponto de vista.
Parecia se tratar de algo que eu não queria escutar, mas, como envolvia boca-livre, não vi motivo para deixar de ir.
- Bom, melhor eu ir trabalhar um pouco - disse eu. Ou, ao menos, fingir que estava fazendo alguma coisa. Meu nível de produtividade não seria muito bom naquela manhã.
- Fico feliz em saber que não vai se casar, por motivos totalmente egoístas.
- E quais seriam eles?
Ele formou um triângulo com as mãos e me fitou, sobre elas.
- Se alguém vai se casar com você, serei eu.
- Não achei nada engraçado! - exclamei, batendo a porta da sala ao sair.
(389/390)

Do começo ao fim, só pensei em uma autora: Marian Keyes. Matthews e Keyes tem muito em comum: escrevem histórias para mulheres, sobre mulheres já não tão jovens e sobre como elas se relacionam com amor, amizade ou os mais diversos vícios. Também como Keyes, há a personagem principal, e em torno dela se desenrolam as mais diversas tramas. As personagens do O Clube das Chocólatras partilham um vício - chocolate, obviamente, o que torna por vezes difícil ler sem nenhum doce em volta, já que as descrições de cada chocolate são cruéis para a mente feminina -, mas cada uma possui uma vida distinta. Há a rica, que trai o marido porque ele aparentemente não a deseja mais; a pobre, que tem um filho e um marido viciado em jogos; a hippie, humanitária e paradoxal, já que ao mesmo que trata de drogados em recuperação, permite que o irmão mais novo use drogas no apartamento dela; e a principal, Lucy, bulímica em recuperação, viciada em chocolates, atrapalhada, sem um emprego fixo e com uma vida amorosa extremamente bagunçada. A maior parte da história dela se resume ao Marcus, namorado de cinco anos e que a trai até mesmo com o vento e ao Aiden, o tal Paquera, que é o chefe dela. É muito óbvio que Aiden gosta dela desde o início, o que torna o final extremamente previsível, mas isso não é de todo ruim. Inclusive, sabe-se lá se o namoro deles realmente dará certo. Aí está uma diferença: enquanto com Marian Keyes os finais são "encaminhados" - é possível imaginar que os relacionamentos darão certo -, Carole Matthews fez um final onde fica a pergunta: "será?". Lucy fez tantas besteiras e sofreu tanto que, mesmo o Paquera sendo lindo, gentil e apaixonado, não é possível afirmar que dará certo. Mas o final deve ter sido de propósito, visto que o livro tem uma continuação. É uma literatura de mulherzinha, mas é deliciosa e viciante como chocolate.

me adora

Você era aquele cara que me encarava nas primeiras semanas do ensino médio, e eu contava para as meninas que tinha medo dos seus olhares. Era aquele que se aproximava da minha amiga para falar comigo. Eu sabia exatamente o que você estava fazendo, e odiava, mas não queria mandar você ver se eu estava na esquina porque eu não queria ser grossa. Você de repente sentou ao meu lado, quando eu queria que uma pessoa totalmente diferente estivesse ali. E te odiei mais por isso. Você foi aquele que me emprestou O Iluminado pela primeira vez, e eu li em um final de semana, e eu senti medo de você durante todo o tempo. Mas você continuou a se aproximar, como se meu medo óbvio pouco valesse. Você foi aquele que atrapalhou a última conversa mais importante da minha vida, mesmo que eu não fosse dizer o que eu queria. E foi você que se aproximou da minha óbvia fragilidade e fez de mim uma marionete. Não que eu fosse uma estúpida, porque sabia o que você queria, e revirei o jogo com um prazer imenso. Era você que estava na minha mão, embora você jamais tenha admitido. Foi com você que eu descobri que o poder me corrompe, e com poder eu esmago as pessoas como um inseto. Sobre isso eu me arrependo. Até porque o poder que me corrompeu me deixou patética, e você virou a situação. Eu te odiava. E te amava por você ter me dado a oportunidade de subir no pedestal e cuspir em você. Amor puramente egoista. Mas tentei acreditar que não era. Você me levou para minha livraria favorita e disse que me amava. Sem egoísmo. E meu lado bom, que ainda existia, se desesperou. Eu não queria lidar com amor. Você era meu capacho, e isso só funcionaria se você me odiasse tanto quanto eu te odiava. Por isso abri mão. E como eu cedi, você me teve na mão. Amor não egoísta virou a vingança desejável, e você me esmagou e cuspiu do mesmo jeito que eu havia feito antes, tantas vezes. Não fiz nada. Mas você continuou. Até que meu lado que tinha sentido o poder ficou irritada com sua demonstração de que podia me humilhar, se quisesse. Mostrei que não estava levando na brincadeira. E mostrei só uma vez. E assim, eu não senti raiva nenhuma, nunca mais. Você continuou com seu plano perfeito de humilhação, mas eu não me importei mais. Definitivamente, nunca mais.

Ano passado, você resolveu voltar. Seria saudade? Não gosto de manter inimizades, este é novo plano por aqui. Aceitei sua aproximação. De repente redescobri seu amor não-egoísta. Não me importaria mais com ele; iria rir, desconsiderar, e você continuaria tentando. Talvez isso nos levasse à um novo ciclo vicioso. Ou talvez não levasse à lugar nenhum. Só que fui obrigada a escolher, você ou ele, e ninguém pensaria duas vezes quando a escolha é entre alguém que te humilhou enquanto pode ou alguém que te ama e te quer bem, e que se sentiu incomodado por saber que, apesar de toda essa história, você ainda tinha espaço na minha vida. Não me arrependi, porque você é um fardo. Meu karma, como eu já pensei tantas e tantas vezes.

Mas agora me diga, por que é nessa época do ano que eu volto a pensar em você? Por que, agora, com o mundo, e especialmente MEU mundo tão mudado, eu fico tentando imaginar o que você está fazendo ou onde você está? Mesmo romantizando tudo, tenho meus pés no chão, sei o quanto eu te fiz mal e como você me pagou na mesma moeda. Ainda assim, me pergunto do seu paradeiro. E juro por Deus que odeio isso.

Não sei mais o que eu tenho que fazer pra você admitir que você me adora, que me acha foda, não espere eu ir embora pra perceber...

seriesholic

Dexter - 3ª Temporada (2008)

Das três temporadas, esta é a que eu menos gostei. Não que não seja genial, como as outras duas, mas é que parece aquela coisa de "mais do mesmo". A introdução do personagem do Miguel Prado, psicopata em potencial e amigo do Dexter, não foi tão impressionante assim. No começo até foi, visto que ele parecia desconfiar que o Dex tinha alguma culpa na morte do irmão, Oscar (e ele estava bem mais correto do que poderia imaginar), mas no momento que o Freebo é morto, e ele se aproxima do Dexter por este ter matado o "assassino do irmão", a graça acaba. Miguel vai mostrando seu lado sombrio a cada episódio, e antes mesmo dele pedir para matar alguém de verdade, já é possível imaginar onde isso vai acabar. Como sempre, as amizades verdadeiras de Dexter Morgan são travadas com pessoas tão doentes quanto ele (assim como a Lila, na segunda temporada, obsessiva e assassina), e que acabam no mesmo lugar, ou seja, na corrente do Golfo. O serial killer "mal" dessa temporada, o Esfolador, também não tem o mesmo apelo que o Assassino do Caminhão de Gelo (a.k.a. Brian Moser) ou o próprio Açougueiro de Bay Harbor (a.k.a. Dexter Morgan). Me parece que ele só foi introduzido para a história da Debra também se desenrolar - aliás, vou dizer, que pessoa sem sorte na vida. O primeiro namoro sério aconteceu com um serial killer que só utilizou ela para atingir o Dexter; o segundo, com alguém que caçava serial killers - e que vai voltar para a quarta temporada, então estou curiosa para saber se vai acontecer algum momento nostálgico entre os dois; e o terceiro, alguém que foi vítima de um serial killer. A LaGuerta é outra sem sorte: todos os amigos acabam mortos. O Doakes pela Lila, a Ellen Woods pelo Miguel e o próprio Miguel pelo Dexter. Parece, no entanto, que as duas azaradas vão virar amigas; depois da Deb ter conseguido a insigna de detetive, as duas ensaiaram uma aproximação. Só espero que ninguém morra dessa vez. Por fim, o enredo do Dexter com a Rita se desenrolou sem grandes sustos. Ela engravidou, ele a pediu em casamento (aliás, o pedido foi um momento alto da temporada - ele repetindo exatamente o que uma mulher disse quando confessou que matou o cara que amava, e a Astor e o Cody se perguntando "o que aconteceu com o Dexter?". É absolutamente hilário.), e eles casaram sem grandes problemas. Agora estou curiosa para a quarta temporada: de um jeito inexplicável, o Dexter quer o filho. Creio que o relacionamento dele com a família criada, e o modo que ele vai administrar o lado pai/marido e o lado justiceiro vão render um ótimo enredo. O único problema é que dia 23 de setembro está longe ainda. Vou esperar ansiosamente.

Aliás! Eu não tenho nenhum passageiro das trevas. Meu "killer instinct" só deu 38%. Totalmente normal. :D O teste super legal está aqui.

senta que lá vem história

Dexter - A Mão Esquerda de Deus (Jeff Lindsay) - 2004

Quando você tem quatorze anos e está acampando com seu pai, nenhum lugar tem um céu tão estrelado quanto o sul da Flórida. Mesmo que ele seja só seu pai adotivo. E mesmo se a visão de todas essas estrelas cause apenas uma espécie de satisfação que não tem nada a ver com emoção. Você não sente. Por isso, em parte, é que você está lá.
A fogueira vai se apagando, as estrelas estão estupidamente brilhantes e o velho e querido pai adotivo está calado há algum tempo, dando pequenos goles no antigo modelo de garrafinha de bolso que tirou da aba externa da mochila. E ele não é muito bom nisso, não é como tantos outros tiras, isto é, não bebe bem. Mas a garrafinha está vazia e é hora de ele dizer sua parte, se é que um dia vai.
- Você é diferente, Dexter - diz.
(46)

Uma salva de palmas para os produtores de Dexter que transformaram um livro mais ou menos em um seriado obra de arte. No começo eu até imaginei que o livro não teria tantas diferenças; talvez algumas com os nomes (demorei um pouco para ligar a Debra à Deborah do livro) e com a atitude do Dexter, já que as palavras permitem mais metáforas e análises do que um seriado na TV. No entanto, quando terminei achei aquela história completamente tosca comparada a aquela que eu já havia visto. Na verdade, o livro é pouco lapidado, sem muitas delicadezas que fizeram toda a diferença entre o gostar ou não gostar da série. O Dexter do livro tem sonhos estranhos, atitudes impensadas, mutila pessoas vivas (tipo, por favor!), faz besteiras e tem impulsos. Trata seu passageiro sombrio como alguém fora dele, e ouve as vozes que este emite (esquizofrênico também, talvez?). É bem mais problemático do que o Dexter da série, este sim, psicopata, frio e refinado, e que segue o próprio código porque sabe que, se sair dele, não vai conseguir mais satisfazer a vontade de seu passageiro sombrio - que faz parte de quem ele é, está dentro dele. Também não apreciei a atitude do Brian, irmão de sangue do Dex. Para um cara que tinha métodos tão refinados para matar, ele era louco demais. O encontro dos irmãos é absurdo, e o Brian parece totalmente fora de si; muito diferente daquele da série, que é muito mais dissimulado e um mentiroso muito melhor que o próprio Dexter. Este sim faz jus ao serial killer que aterroriza tanto a polícia de Miami. Apesar destes problemas, alguns detalhes do livro explicam a série: a atitude metódica do Dexter, as atitudes da LaGuerta (que é uma completa - perdoe a palavra - vadia no livro), o modo da Debra/Deborah se comportar. O livro, de fato, não é genial, mas merece ser louvado pelo seriado genial que surgiu baseado nele.


Dexter do seriado? Sim!


Edit: Acho que vou rir para sempre. :D

Which Dexter Character Are You?

More on Dexter. Created by BuddyTV

lovely poupée

Passeando em alguns blogs do TDB no primeiro dia das minhas férias, parei em um que a garota dizia que passaria o tempo livre vestindo a Poupée Girl dela. Primeiro pensei "o que é isto?", depois "porque estou pensando se não posso simplesmente clicar no link?". Quando parei no (agora já tão conhecido) pupe.ameba.jp, tive um flash-back: eu já tinha passado por ali antes. Era, aparentemente, um jogo em que você vestia uma boneca - super bonitinha, por sinal, mas nada diferente de todos os jogos de vestir bonecas, como os que tem no Click Jogos, e que eu, por sinal, era muito fã. Ainda assim, fiz meu perfil, meio na louca. Vesti minha boneca pela primeira vez (um pouco chateada porque ela não tinha no closet dela todas aquelas roupas maravilhosas da "trial version"), e deixei para lá.

Mas no dia seguinte, comecei a pesquisar algumas coisas sobre a Poupée, meio inconsciente do que fazia, e me deparei com um mundo de ribbons, shells, Katherine's Shop, itens limitados e tudo o que uma imaginação fashionista poderia imaginar. Não que eu seja muito ligada em moda (na verdade é bem longe disso), mas eu gosto de olhar as roupas e dar minha opinião leiga: ou seja, algo entre é legal e é horrível. E nesse mundo eu posso dar minhas opiniões leigas, porque tem gente tão leiga quanto eu lá. Além disso, o esquema do jogo é fascinante e dá vazão aos instintos consumistas: procurar ofertas no Poupée Market é minha diversão das tardes (conseguir itens caros por poucos ribbons é uma delícia), além de também me divertir tirando fotos dos meus itens de verdade e pensando em quantos ribbons vou conseguir por eles. Tem também a comunidade no Orkut, que descobri a dias atrás, e onde tenho passado um bom tempo descobrindo dicas, lendo sobre coisas ridículas (chorei de rir com a saia de concha, e pior que não posso explicar, porque não tem graça para quem não joga) e conseguindo esquemas de comentários.

Ah sim, e agora estou aqui, procurando passar o tempo até o próximo reset de comentários (que rola às 20:25) para procurar alguém e fazer um esqueminha básico (só que, sacanagem, ainda não vou ter ribbons o suficiente para comprar as lentes de contato maravilhosas que a Katherine colocou para vender. Amanhã de manhã aproveitarei o próximo reset de comentários. Sério, eu preciso das lentes cinza, rosa e verde-oliva, além do super rímel. Preciso.). :D

 
Minha pequena Nina, no seu recomeço: ela só tem quatro dias de vida. Hihi.

senta que lá vem história

Mansfield Park (Jane Austen) - 1814

Às oito da manhã chegou Edmund. As moças o ouviram entrar, e Fanny veio à porta. A idéia de o ir ver imediatamente, junto com à consciência de que ele estava sofrendo, afastou-lhe quaisquer sentimentos a respeito de si própria. Ele tão perto, e tão infeliz! Estava prestes a cair quando entrou na saleta. Edmund estava só, e foi ao seu encontro imediatamente; e Fanny viu-se apertada contra o coração do primo, e ouvia apenas estas poucas palavras, mal articuladas: - Minha Fanny, minha única irmã; meu único consolo, agora! - Ela não pode falar nada, nem ele pode dizer mais, durante vários minutos. (421)

Surpresa é meu sentimento principal desde o início de Mansfield Park. Tudo bem que esse é meu segundo livro da Jane Austen, sendo o primeiro Orgulho e Preconceito (sem dúvida a obra mais conhecida); mas minha surpresa vem das atitudes afetivas presentes desde o início desse livro, coisa que senti extrema falta no mundo da Elizabeth e do Mr. Darcy. Certo que não iria existir nenhum rompante passional em um romance do início do século XIX, mas ficou faltando alguma coisa, qualquer coisa, na primeira história que li. Mansfield Park tem isso desde o início, já que se trata dos primeiros passos do amor de Fanny pelo primo, Edmund. Por sinal, Edmund virou sinônimo da perfeição: gentil, afetivo (alto, bonito e sensual, HAHA) e muito querido com a prima desprotegida. O único erro foi ter se apaixonado por alguém que não valia nada, a Miss Crawford; por sinal, várias vezes eu sentia muita pena da Fanny, obrigada a ouvir confidências e tentando administrar os ciúmes sem nem ao menos saber que se tratava disso. Acabei me identificando com ela por isso, de vez em quando. A história também, é cheia de reviravoltas, como quando o irmão da Miss Crawford, o canalha daquela época, se apaixona (e de verdade!) pela Fanny. É um ótimo livro, viciante, fácil de ler apesar de todos os Mr. e Mrs. - coisa que depois de um tempo fica normal, mas no começo é difícil lembrar quem é quem, até porque tem todas aquelas regras de casamento, primeiro filho e tudo o mais -, e, mais do que tudo, a história de amor de Fanny Price e Edmund Bertram merece ser reconhecida na sua grandiosidade; que julgo ser até maior que a de Elizabeth e Mr. Darcy.

* Pretendo fazer o senta que lá vem história uma sessão fixa do blog, para os livros que leio, assim como também criar o momento pipoca (que já se iniciou no Galway Girl) e o seriesholic para falar de filmes e seriados, respectivamente. :)

tristes verdades

Eu trocaria meu namorado pelo Edward Cullen, se este existisse e gostasse do meu cheiro a ponto de querer arriscar tudo por ele. Eu não me importaria de arranjar o H1N1, se eu pudesse voltar para a aula. Aliás, voltar para a aula é simplesmente a coisa que eu mais desejo nesse mundo. Ando comendo feito uma porquinha, seja pelo frio ou por questões hormonais. Não ando com vontade de fazer exercícios, creio que também em decorrência do frio ou questões hormonais. A vontade de me cuidar anda no zero, por isso estou constantemente descabelada, com espinhas e com as unhas roídas. Nesse momento, não quero ver nem falar com ninguém, nem fazer nada. Nesse momento eu gostaria de dormir, e só acordar quando algo de interessante acontecesse. Minha cabeça dói sem parar desde terça, e isso está me enlouquecendo. Só sinto vontade de mexer na Poupée Girl. Não tenho dormido nada bem nesses últimos dias, e toda vez que acordo cedo, sinto vontade de chorar. Mas a vontade de chorar foi bem maior ontem, quando eu percebi que eu não tinha lugar nenhum para ir. Sinto que tem algo errado e não sei dizer o que é, e isso está me enlouquecendo mais do que a dor na têmpora esquerda. Não consigo me concentrar em nada por um tempo maior que dez minutos. E uma saudade me oprime, mas eu não sei dizer por quem, ou pelo quê.

Os homens deveriam agradecer todos os dias por não terem TPM. Com exceção da primeira afirmativa, todo o resto se relaciona de alguma forma com os hormônios loucos dentro do meu corpo. :/

nada pessoal

Desculpa dizer isso assim, com todas as letras, mas não há mais glamour fake do que escrever para uma revista adolescente através de um blog. Não é inveja, porque eu faço isso, e não é revolta por nunca ser publicada, já que fui recentemente. É só um fato. Aliás, ser publicada só serve para elevar o ego, porque normalmente só são dignos de atenção os meus textos mais bobos. Enfim.

Acontece que muita gente ali acha que isso é um trabalho. Que isso é jornalismo. No começo também pensei isso, porque eu escrevia pautas que tinham data limite para serem entregues, e eu podia de fato ser publicada. Mas passa o tempo, e você percebe que não é nada disso; tirando o fato do prazo, é como se fosse simplesmente escrever sobre assuntos aleatórios, e por vezes nada interessantes, no seu blog pessoal. Mais ainda: muita gente ali acha que escrever muito significa escrever bem. A grande maioria das pessoas que colaboram para a revista escrevem muito, e a muito tempo - eu me enquadro nessa categoria. Mas o fato de fazer contos e histórias desde os meus 13 anos não significa que hoje eu tenho maturidade ou capacidade de criar um bestseller para chamar de meu. Escrever um livro está sim nos meus planos. Mas eu vou precisar amadurecer muito para isso. Nada me impede de começar e tentar, tentar muitas vezes, mas minhas tentativas não são sinais de sucesso evidente, de "ai, como eu sou incrível por ser capaz de inventar histórias profundas ao nível de Gabriel García Márquez". Por favor, né. Escrever é colocar os sentimentos no papel (ou no bloco de notas, como agora) em uma ordem lógica. Todo mundo é capaz de fazer isso, só que muita gente não treina, e treino nesse caso é essencial.

Voltando à ideia inicial, de que aquilo é jornalismo, sou obrigada a rir. Há um tempo atrás, vieram na comunidade com um tópico destinado à debates sobre assuntos atuais, visto que a maioria quer ser jornalista. Quando li isso fiquei até ofendida. Embora uma boa porcentagem queira mesmo, ela não significa a maioria. Existem ali os psicólogos, os biólogos, os publicitários e os que não sabem o que querem. O que fazemos é quase tão jornalístico quanto aquela parte para falar sobre a revista. Além disso, não há liberdade alguma na expressão dos assuntos - ou escreve do jeito adolescente, o que eles querem ouvir ou será ignorado. É utopia pedir imparcialidade na imprensa, mas existe ali muita parcialidade, como certo vez que fui a favor de algo e somente publicaram quem era contra, como se todos tivessem a mesma opinião.

Por esses motivos, e por outros mais banais, que só pretendo continuar colaborando nesse ano. Possivelmente nem serei chamada de novo, já que não tenho atendido aos padrões, mas mesmo que fosse eu não aceitaria. Cansei de ficar vendo esses absurdos sem falar nada.