
senta que lá vem história

Love - A História de Lisey (Stephen King) - 2006
A voz era dela, mas era quase como se fosse a dele, uma ótima imitação, então Lisey fechou os olhos e sentiu as primeiras lágrimas mornas, quase reconfortantes, escaparem pela tela de seus cílios. Havia muitas coisas que ninguém contava sobre a morte, descobriu ela, e uma das principais era quanto tempo as pessoas que você mais amava levavam para morrer no seu coração. É um segredo, pensou Lisey, e é melhor que seja assim, pois quem iria querer se aproximar de outra pessoa se soubesse como a parte de deixá-la para trás é difícil? No seu coração, elas só morrem aos poucos, não é mesmo? Como uma planta quando você vai viajar e se esquece de pedir para um vizinho dar um pulinho na sua casa de vez em quando com o velho regador, e é tão triste... (357)
Belíssimo, o melhor livro que já li do Stephen King. Lisey, a víuva de Scott Landon, escritor famoso, inicia uma viagem de memórias dois anos após a morte do marido. Scott era perturbado por muitos fantasmas do passado, e isso deixou sua marca em Lisey; e ela precisa exorcizar todas as memórias se quiser viver normalmente. O livro não escapa do gênero usual de King: sim, é um livro de suspense, sim, certas partes são assustadoras. Mas o amor do casal, toda hora relembrado, faz com que o livro seja uma obra prima em sensibilidade. A viagem ao passado se inicia com a lembrança de um fã atormentado (um Cowboy do Espaço Sideral) que atirou em Scott até chegar nas histórias de infância deste e ao lugar cheio de sonhos e sombras, que existe somente para aqueles de grande imaginação. O livro é cheio de cenas lindas (de Boo'ya Moon) equilibradas com cenas terríveis; além disso, é cheio de seu vocabulário próprio, com palavras e expressões que marcam. Acho que o principal, que me atraiu tanto, não é a beleza óbvia da história, mas sim o sentimento. Eu me senti muito bem lendo esse livro, apesar das lágrimas inevitáveis. É aquela música que às vezes é perfeita: feels like home to me. ESPANE, babyluv, mas quando for engatilhar, que seja até o fim.
- Você e Scott conversavam sobre mim, Amanda? Vocês conversaram sobre mim lá naquele lugar?
- Conversávamos. Aqui ou lá, não me recordo e acho que não faz diferença. Conversávamos sobre como ele amava você. (412)
momento pipoca

A Verdade Nua e Crua (The Ugly Truth) - 2009
Não tem como não gostar desse filme. É romântico, é clichê, mas é extremamente divertido e tem dois dos atores que eu mais amo no mundo: Gerard Butler (o eterno Gerry do PS: Eu Te Amo, que, aliás, é meu filme favorito) e Katherine Heigl, linda, loira e fofa. Abby é uma produtora de TV, que gosta de controlar tudo, tanto no trabalho quanto na vida amorosa. Mike é um machão que não acredita em relacionamentos. Quando ele é contratado pela emissora dela, para apimentar o programa que não estava alavancando, Mike ajuda Abby com um novo relacionamento. Surpreendentemente dá certo - aliás, as melhores partes do filme estão aí. Ele dizendo a ela que homens gostam de cabelos grandes para ter o que agarrar, que eles gostam de mulheres mordendo comidas em formatos fálicos... Uma risada atrás da outra. Aliás, ainda mais quando ele dá a ela uma calcinha vibratória, já que "se ela não quer fazer sexo com ela mesma, quem vai querer?". A cena dela com a calcinha durante um jantar de negócios é a melhor parte. O fim, sim, é clichê: ele se apaixona por ela, e ela por ele. Mas isso não faz com que o filme seja ruim. Inclusive, acredito que finais clichê como esses são os melhores - filmes como esse já pedem finais felizes.
mini-momentos
momento pipoca

Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas - 2009
Hilário! O filme se passa em uma noite, onde Rui e Vani vão atrás de algo para apimentar a relação: alguém para fazer uma ménage à trois. É obvio que não vai ser fácil: eles vão atrás de uma prima da Vani, de desconhecidas, de uma prostituta. Em cada momento, há uma confusão diferente. Com a prima, uma briga e um cristal arremessado. Com a desconhecida (que virou bi... campeã de kick boxing), uma luta no quarto, hilária. Com a francesa, os melhores momentos: as palavras francesas que parecem uma coisa e são totalmente outra. E por fim, com a prostituta ladra e seu comparsa ("Rui, e se eles comeram nosso c*?" HAHA). É muito divertido e passa tão rápido como se fosse um episódio dos Normais na TV.
senta que lá vem história

A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais (Charles Darwin) - 1872
Eu não pretendo falar sobre livros "técnicos" - leia-se, aqueles que eu tenho que ler para a faculdade -, mas não vejo problema de falar daqueles que são interessantes não só pra que estuda psicologia. Este é um exemplo. É um livro bem antigo, obviamente, e Darwin utiliza as emoções para embasar a teoria da evolução das espécies. Mas, tirando isso, que está meio desatualizado, Darwin apresenta teorias e descrições das expressões que são bastante interessantes. Várias vezes me peguei forçando caretas só para ver quais músculos mexiam. E, para a faculdade, esse livro é super útil, porque o modo como se dão as expressões é estudado até hoje. Ah, e claro, amei as fotos e ilustrações (apesar de umas serem assustadoras, mas eu é que sou impressionável).
don't forget me
Quatorze anos e todos os sonhos e dores no coração. Não sabia como perdoar, mas sabia como esquecer. Eu sempre esquecia durante aqueles 55 minutos na frente da TV. Esquecia tudo, esquecia a dor lascinante no peito, as lágrimas, esquecia os problemas, esquecia dos problemas que eu era incapaz de resolver. Aqueles 55 minutos eram meus. Eu conhecia os comerciais que passavam. Conhecia as sensações. E amava tudo, amava a capacidade de abstrair, amava ter uma corda firme me segurando. Eu descia as jurássicas VHS's, e as colocava no aparelho. Elas gravavam não só um seriado, mas sim meus pulmões. Minha capacidade de sonhar na época mais complicada da minha vida. Eram minha esperança. Meus sonhos, todos os primeiros, surgiram graças a eles.
Um dia, um episódio, um elefante de pelúcia. Não era um elefante qualquer, era o Dumbo. Senti que precisava dele. Ter um Dumbo de pelúcia seria como ter meu milagre pessoal todos os dias, um lembrete eterno de que havia amor e esperança no mundo. Pedi para meu pai. Ele prometeu me atender. Ganhei a quarta temporada de minha luz pessoal, e, embora isso fosse motivo para alívio, não era o alívio absoluto. Eu queria o Dumbo. Só ele me traria a paz esperada. E nós procuramos, e procuramos, e durante semanas entravamos em todas as lojas de brinquedos, e ninguém tinha um elefante de pelúcia, quanto mais um Dumbo. Aparentemente, naquelas semanas, os elefantes cinza se esconderam.
Nós já tínhamos desistido de procurar. Não existiam mais Dumbos de pelúcia no mundo. Um dia, na fila de uma loja de departamento, olhei para o lado e o vi. Era uma tromba cinza. Disse para o meu pai esperar e andei ansiosamente em sua direção. Era o último elefante cinza do mundo (naquela semana). Olhei para ele e soube: não era o Dumbo, mas era perfeito. Era por ele que eu estava procurando o tempo todo. Entre seus braços, havia um coração, e nele, sua mensagem: don't forget me. Não tinha como esquecer, certo? E o trouxe para casa.
Talvez ele não tenha servido para meus propósitos iniciais. Ele não era meu milagre pessoal, não me confortava tanto quanto os 55 minutos, mas ele era algo. Demorou muito tempo para eu entender o que. Então, hoje, limpando a estante mais alta, onde ele guarda meu filme favorito e minha quarta temporada, entendi. Ele é o algo que me mostra que mesmo quando a vida era terrível, ela era boa. Que eu aprendi a sonhar, amar e esperar sozinha. E que lembrar não é sofrer. Pelo menos, não quando lembro dos meus quatorze anos e de todos os sonhos e dores, tão diferentes, que eu tinha no coração.
só agora
baby, tanto a aprender. meu colo alimenta você e a mim. deixa eu mimar você, adorar você, agora só agora, porque um dia eu sei, vou ter que deixá-lo ir. sabe, serei seu lar se quiser. sem pressa, do jeito que tem que ser. que mais posso fazer, só te olhar dormir, agora só agora. correndo pelo campo antes de deixá-lo ir. muda a estação, necessário e são, você aflorecer. calmamente, lindamente. mesmo quando eu não mais estiver, lembre que me ouviu dizer o quanto me importei e o que eu senti agora só agora, talvez você perceba que eu nunca vou deixá-lo ir!
Na primeira vez que ouvi essa música, pensei: "uau, ela serve perfeitamente para o Jacob.". E fiz um layout para o outro blog.
Na segunda, não pensei em nada.
Então, na terceira, é que eu percebi: se você mudar todos os "deixá-lo" para "deixá-la", teremos uma visão clara da minha vida. Portanto, é inevitável. Choro e sofro muito toda vez que ouço a bendita da música.
Só para constar.
(Aliás, você, querido leitor - se é que você existe -, que está lendo os arquivos do meu blog com ávido interesse. Quer saber o motivo para tantos textos postados no mesmo dia? Simples pequeno gafanhoto: eu tenho uma leitora, além de mim mesma. E certos assuntos tratados nos textos anteriores que podem causar desconforto ou perguntas inconvenientes. Para evitar isso, posto um texto leve no início e posto o que há de mais pesado depois, e faço questão de não explicar como o sistema de arquivos funciona. :3)
l o v e
Aquele livro não está me fazendo bem. Nem tudo é culpa dele, porque eu já vinha me arrastando progressivamente para o fracasso de uma dieta, e isso é a pior de todas as coisas. Não quero voltar ao peso que eu tinha no segundo ano, mas me vejo sendo arrastada para ele por uma força maior que eu mesma. Como o tempo todo, só o que é calórico e não faço exercício algum. Daí engordo tantos quilos e fico mal por eles. E isso me faz querer comer mais. Esse arrastar me desespera. Eu queria, na verdade, que eu não fosse a única por aqui tentando fazer algo com o meu peso, ou incomodada com ele. Comprar doces todos os dias faz com que eu queira doces todos os dias, e aqueles doces baratos e super calóricos como biscoitos recheados ou chocolates. E pior que a maior parte das vezes eu nem os quero de verdade, eu simplesmente como para manter a boca, e, em partes, a mente ocupada. Então, o namorado não ajuda, achando que eu estou emagracendo (bela mentira), e me enche de doces feito a bruxa engordando João e Maria até eles ficarem ao ponto. Ao ponto de explodir, claro.
Mas a culpa do livro está em todos os pensamentos sem resposta, sobre a vida e sobre o sentido dela. Sobre o amor. Quanto mais eu penso, mais acho que a vida não tem sentido. Nascemos e morreremos, inevitavelmente. Pior não é a morte, na realidade: é ver as pessoas que amo morrendo. E quando eu tiver filhos, lá pelos meus quarenta anos (sim, quarenta), eles também me verão morrer. Em duzentos anos, eu poderei ser somente um nome em meio a tantos outros. Ou alguém que descobriu algo importante - ainda assim, serei só um nome, só que mais divulgado. Ou poderei não ser nada, simplesmente nada, só uma vida a menos, uma a menos no mundo. Assim funciona com todo mundo, e aparentemente todo mundo vive bem com esse fato. Aliás, imagino que esse "viver bem" se deva ao fato de nunca refletir sobre isso. Tal assunto deveria ser proibido. O vazio que ele dá é muito grande, grande demais pra uma pessoa. Ou para uma humanidade inteira.
E amor? O que fazer com ele? No livro - ah sim, o livro -, o amor deles superou todos os limites. Os limites da loucura dele e da ignorância dela. Sei que é um livro de terror, sei que essa loucura (na verdade, são patologias classificada, falando nos termos técnicos de minha futura profissão) não é verdade, que alguém em tal situação surtaria, e algo dentro dele quebraria de vez. Ele não seria capaz de ser daquele jeito. Mas, lá, ela foi o pequeno milagre dele. O milagre de olhos azuis que o tirou do lado matizado. Mas o que me tirou do sério foi o sentimento dela. Ela sente o que eu sinto, com a diferença que ela teve de aceitar o coração escuro dele. No meu caso, nossos corações tem uma coloração acinzentada. Creio que o dele é mais claro que o meu, mas nós dois temos nossa parcela de dor. Mas ela o aceitou. A vida dela era de um jeito tal; ele chegou e as coisas não mudaram tanto. O amor não era enlouquecedor. Mas ela aceitou, e foi feliz. Sei, sei que é um livro, só que eu vejo isso para mim, e isso me desespera de tal modo que sinto vontade de fazer minhas malas e sumir. Porque minha vida não é assim. Não é. Mas parece que está virando. Parece que ele está conseguindo me prender em suas teias de amor eterno, e eu me enrolo e me enrolo, e estou achando muito difícil de sair. Sair não no sentido literal, mas no sentido de me ver sem ele. Acho que esse, dos desesperos, é o pior.
better together
- Quando você vai para Wilmington?
- Em duas semanas.
- Ótimo! Vou com você, então.
Senti que meu queixo caiu horrivelmente. A cena não era bonita, mas eu não tinha outra reação possível. Aquilo já havia superado todos os meus sonhos mais malucos, e eu era cheia deles. Depois de algum tempo em Los Angeles, tinha finalmente descoberto o set de filmagens do novo seriado dele. Aí, mais um tempo para descobrir o endereço da casa. Um ou dois dias para descobrir que horas ele costumava sair e onde costumava comer. Com todo esse trabalho de detetive em mãos, precisei somente estar no lugar certo e na hora certa, já pronta para o plano B caso o A não funcionasse. Felizmente funcionou. Consegui falar tudo o que queria com razoável tranquilidade, ficando só um pouco ruborizada. Até consegui falar uma ou outra coisa fora do script - entre elas, que eu iria para Wilmington, para conhecer o cenário de uma das séries favoritas. Favoritas graças a ele, claro. Então, ele soltou esse convite que-não-era-um-convite, e eu fiquei ali, sentindo o ar entrando na minha boca. Com esforço, puxei o queixo para cima.
- Sério? Mas você não tem que gravar a série? - murmurei rouca.
- Na verdade, em duas semanas eu terei férias. Não muito longas, é verdade. Quanto tempo você vai ficar lá?
- Um mês.
- Não posso ficar um mês, mas será que você pode aguentar minha companhia por duas semanas?
- Claro! Você vai tornar a viagem mil vezes melhor, Josh.
- Poderei te mostrar todos os segredos da cidade. - disse ele, piscando. Me concentrei na minha respiração.
- Vou ficar muito feliz.
Ele sorriu, e anotou algo em um guardanapo. Estendeu para mim, e li três números de telefone.
- Esses são os meus telefones. O da casa, do celular e do meu empresário, caso você não me ache. Que dia você vai?
- Dia 14, voo 1588.
- Ótimo. - disse ele, anotando o dia e o número do voo. Me estendeu o papel e a caneta, e eu peguei, insegura. - Anote o seu telefone também. Se eu precisar falar com você, sei onde te encontrar.
Anotei o número do celular e da pousada onde eu estava. Estava me sentindo tonta. Eu só queria agradecer por tudo o que ele fez mesmo sem saber, e acabei com uma viagem marcada e sabendo seus telefones pessoais. Definitivamente isto era muito melhor que qualquer sonho absurdo. Devolvi o papel e a caneta para ele, sorrindo.
- Nos vemos em breve, garota, e nos falaremos ainda mais cedo. - disse ele, me dando um beijo no rosto. Sorriu e se afastou para uma mesa aos fundos.
- Mal posso esperar. - murmurei em português, ao pegar minha bolsa e sair da lanchonete.