
the te of cindy

Lá no primeiro ano do ensino médio comecei a gostar de Dawson's Creek. Mas, assim, não era gostar pouco - era gostar muito, de assistir todos os dias e mais de um episódio por vez. Mas isso não é uma história nova nem é o assunto do post. É que, na quarta temporada de DC há um episódio chamado The Te Of Pacey (existe um chamado The Tao Of Dawson também, que não sei se vem antes ou depois). A história: é aniversário do Pacey, só que ele odeia aniversários. A Joey, na melhor das intenções, faz uma festa surpresa para ele, onde tudo sai errado mesmo, graças a sua família disfuncional e a todas as brigas e intrigas que há entre seus amigos.
Não vou dizer que o episódio me influenciou diretamente, mas me fez ver as potencialidades desastrosas do aniversário. Depois que eu cresci e que, portanto, aniversários pararam de significar bonecas, roupas de bonecas e acessórios para casinhas de bonecas, ele perdeu um pouco a graça. Não totalmente, é óbvio, porque é sempre bom ser paparicada por um dia e ganhar aqueles presentes que, ok, não são bonecas, mas são livros, dvds e roupas que eu queria muito. Mas eu sempre pensava que era um dia normal, com a diferença que um ano se acrescenta na idade - o que não é lá muito impressionante. Significa que mais um ano passou na minha vida, yey, ótimo. Mas só.
Depois do episódio e de um pouco de reflexão, percebi que além de ser um dia só, ele tem muito poder para ser um dia absurdamente bom como também para ser absurdamente ruim. Por exemplo, meu aniversário de 17. Mesmo a chuva terrível foi um elemento a mais no dia perfeito, do começo ao fim. O aniversário de 18, por sua vez, foi ao contrário. Simplesmente nada deu certo - acordei com um pressentimento que seria um péssimo dia, e não estava enganada. A comemoração aconteceu no dia seguinte (por minha causa - daí reflito que o pressentimento me fez agir de uma maneira pessimista, do começo ao fim), quando já era tarde para comemorar o aniversário, mas bem na hora de comemorar a aprovação na primeira fase do vestibular.
Então estou aqui, dia 22 de novembro, quando faltam só quatro dias para meus 19 anos. Estou ansiosa para que chegue logo porque minha mãe fica me perturbando com uma história de presentes surpresa. Mas fora isso, não estou fazendo nenhum plano. Independentemente do que vier, em qualquer sentido, espero que seja bom - e que eu não tenha nem tempo para ter pressentimentos pela manhã, já que tenho aula de reposição. Haha. :)

Porque se até no The Te Of Pacey tudo acaba bem, porque no meu aniversário não seria igual?
senta que lá vem história
Marley & Eu (John Grosgan) - 2005
Marley era, sem sombra de dúvida, uma dor de cabeça. Ele não se parecia nem um pouco com os cachorros civilizados que nós dois tivemos quando crianças. Ele tinha uma coleção de maus hábitos e maus comportamentos. Era culpado por tudo que fazia de errado. Ele também não era mais o filhote fofinho que havíamos trazido para casa dois anos antes. Em seu modo confuso, ele continuava tentando. Parte de nossa atribuição como seus donos era adequá-lo às nossas necessidades, mas outra parte era também aceitá-lo como ele era. Não apenas aceitá-lo, mas apoiá-lo e a seu espírito canino indomável. Nós havíamos trazido para casa um ser vivo e pulsante, não um acessório de moda para enfeitar um canto da sala. Pelo sim ou pelo não, ele era nosso cachorro. Ele era parte de nossa família e, apesar de todos os seus defeitos, correspondeu mil vezes ao nosso amor. Uma devoção como a dele não poderia ser comprada a preço algum. (153)
Emocionante e simples. Marley era um cão, nas palavras de seu dono, hiperativo. Um grande labrador com muita energia, que babava em tudo, comia desesperadamente, tinha uma força inimaginável, mastigava e comia tudo que via pela frente - desde de lenços de papel à correntes de ouro -, mas que, do lado oposto, tinha um medo terrível de tempestades e destruia a casa nesses momentos. Apesar de seus defeitos, Marley era leal, gentil e extremamente divertido; chegou inclusive a participar de um filme, exatamente por seu jeito incontrolável, e aterrorizou a equipe de filmagens. Ele era um cão especial, e me senti (como imagino que todo mundo que já tenha amado um cachorro se sinta) tocada; apesar do meu Tobby não destruir nada, não se abalar com tempestades e ser levemente anoréxico (comer não é uma parte emocionante do dia dele, a menos que isto se refira à biscoitos de cachorro e comida de humanos que eventualmente caem no chão), é impossível não achar semelhanças entre ele e Marley. E, especialmente, é impossível não se emocionar com o final do livro, quando a velhice e as doenças finalmente acabam com o caráter extravagante do grande labrador bobão e hiperativo que, sem dúvida, para John e sua família, foi o pior e o melhor cão do mundo.
contando realidades
Como estava chateada demais para pegar no sono, eu me refugiei em fantasias. Inventar histórias em que namorados fujões voltam e inimigos são vencidos é o meu truque principal para apresentar em festas e reuniões. (...) É a minha atenção aos detalhes que as pessoas adoram, segundo me contaram, e quando Anton fugiu com Lily, eu fui um caso típico da sonhadora que cura a si mesma. (Gemma, Um Bestseller Para Chamar de Meu, páginas 62 e 63)
Desde que eu li Um Bestseller Para Chamar de Meu, da Marian Keyes, me identifiquei de imediato com a Gemma. Desde então, ela é o meu melhor exemplo para quando o assunto de "inventar histórias" e "se perder no mundo da fantasia" aparece. Eu sou exatamente como ela (ou seria o contrário?): adoro pegar elementos caóticos da minha vida e transformar em histórias fantasiosas. Em geral, escolho o enredo, as circunstâncias iniciais e o que deve acontecer no final; e então fico lapidando todos os detalhes por semanas, sem mudar de história. Tal coisa acontece, e então? Deixo para uma hora em que não precise da minha mente para outra coisa. Daí estou lá, comendo, quase dormindo, tomando banho ou, o que acontece também por mais que eu tente evitar, estudando, quando um novo elemento, que é perfeito para se encaixar no anterior aparece. Chega uma hora onde eu não tenho exatamente uma história pronta, mas tenho o principal, que concorda com a realidade mas a melhora infinitamente. Aproveito a fantasia quase pronta por uns dias, e então, puf, ela some para dar lugar ao início de outra. Elas sempre tem íntima ligação com o que eu mais gosto no momento (Edward, Sirius Black e Joshua Jackson foram os personagens principais das minhas últimas histórias), ou então com minhas pequenas obsessões pessoais - para elas não darei exemplos, vai saber. :3 Adoro meu dom de imaginar o futuro, ainda que ele seja extremamente fantasioso, e acho que sempre fui capaz de fazer isso: quando criança, usava minhas bonecas não para inventar enredos insanos, mas para imaginar o que aconteceria se... A única coisa que não me agrada é que, na mesma intensidade que minhas histórias aparecem, elas também desaparecem; normalmente antes mesmo que eu tenha a capacidade e colocá-las em palavras. Se eu transformasse todas essas realidades fantasiosas em histórias escritas, sem dúvida eu teria um livro agora - só não sei se não seria como o livro da Gemma, um desastre de vendas. Nesse caso, prefiro não me comparar.